Não falo de um amor perfeito, falo de um amor real. E essa talvez seja uma de suas grandes qualidades. Falo de um encontro, de um acreditar. Não falo de planos, prestação de apartamento, lote para construir, projeto do quarto do bebê. Não falo de planejar a próxima viagem de férias. Falo de uma sinceridade, de um estar inteiro, a cada momento em que se decidia estar. Falo de um sorver a vida como se bebe vinho ou café quentinho. Falo de muitos sins e também dos nãos. Nãos que também eram de amor. Falo de uma certeza que tinha curto prazo de validade, mas renovável a cada dia. Falo de cada novo dia em que era bom não ter a certeza, para de novo merecer o desejo. Falo de um desejo que nascia a cada sol. Falo de uma construção. Falo de amor porque antes falo de amizade. Falo de corações puros, no sentido menos ingênuo da palavra. Falo, não porque ele não está mais aqui. Falo de mim, falo dele, falo de nós. Falo de você.
Trecho de Quinta # 35
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário: por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.
Dom Casmurro - Machado de Assis
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Melancolia me deixa em paz!
Hoje acordei melancólica, pensativa...
Não me dou muito bem com essas comemorações de fim de ano, há alguns anos tudo isso perdeu o sentido para mim... Sempre fico com a sensação de que está faltando algo (acho que dia 31 a situação piora...)
Geralmente as pessoas fazem um balanço de tudo o que aconteceu em suas vidas durante o ano corrido, eu não. Sempre olho o que deixou de acontecer, para que no próximo ano eu tente realizar... Mas as vezes dói quando você percebe que algumas coisas, simplesmente, não vão mais se concretizar, que o tempo delas chegou ao fim. As coisas mudam, você muda, tudo muda!
Dentre essas mudanças fico me perguntando o que restou de mim, quem eu ainda sou, e o que posso fazer com o resto de mim que ainda vive nesse corpo...
Vasculhei aqui a minha pasta de textos aleatórios e achei que este, talvez , fosse o mais indicado para a ocasião... Acredito que quando não conseguimos traduzir nossos pensamentos em palavras, podemos, quase sempre, nos encontrar nas de outra pessoa.
Este é um texto de Clarice Lispector, e me encontro tão verdadeiramente nessas palavras, que as vezes acho que eu mesma escrevi. E como costumo dizer: ele é um reflexo do meu espelho...
"Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!!!"
(Clarice Lispector)
Não me dou muito bem com essas comemorações de fim de ano, há alguns anos tudo isso perdeu o sentido para mim... Sempre fico com a sensação de que está faltando algo (acho que dia 31 a situação piora...)
Geralmente as pessoas fazem um balanço de tudo o que aconteceu em suas vidas durante o ano corrido, eu não. Sempre olho o que deixou de acontecer, para que no próximo ano eu tente realizar... Mas as vezes dói quando você percebe que algumas coisas, simplesmente, não vão mais se concretizar, que o tempo delas chegou ao fim. As coisas mudam, você muda, tudo muda!
Dentre essas mudanças fico me perguntando o que restou de mim, quem eu ainda sou, e o que posso fazer com o resto de mim que ainda vive nesse corpo...
Vasculhei aqui a minha pasta de textos aleatórios e achei que este, talvez , fosse o mais indicado para a ocasião... Acredito que quando não conseguimos traduzir nossos pensamentos em palavras, podemos, quase sempre, nos encontrar nas de outra pessoa.
Este é um texto de Clarice Lispector, e me encontro tão verdadeiramente nessas palavras, que as vezes acho que eu mesma escrevi. E como costumo dizer: ele é um reflexo do meu espelho...
"Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!!!"
(Clarice Lispector)
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Eu disse mesmo
Ele sabe que errou
Para quem não sabe, o Hugo, cachorrinho mais fofo desse mundo, é um Poodle que ganhei de presente de aniversário há quatro anos atrás (logo, Hugo tem quatro anos, já que ganhei quando ele ainda era um filhotinho).
Apesar dessa fofura toda e do tratamento de lord (afinal, Hugo come comidinha especial, é paparicado pelo clã Maciel, e até frequentava salão de beleza para cachorro), meu cachorrinho, as vezes, se comporta pior que um vira lata.
Hoje, quando cheguei do trabalho, me deparei com a seguinte cena:
Ainda bem que tive um momento iluminado e consegui manter a calma (o que é bem difícil na TPM!), primeiro por que fiquei imaginando o estrago que ele teria causado se tivesse atacado meu estojo de maquiagem ao invés da caixinha de algodão, e segundo por que a culpa foi um pouco minha já que não deixei a porta do meu quarto fechada (e também por que cama não é porta-maquiagem!).
A pior parte é que ele sabe que fez M****, pois assim que cheguei em casa, e vi a traquinagem, olha só onde ele se enfiou:
![]() |
| Sim, ele, com a maior cara de culpa do mundo, se enfiou embaixo da cama! Bom esconderijo, não? |
Depois de limpar toda a M**** que ele fez, lavar seu rosto e suas patinhas, ainda fiquei preocupadíssima convencida que meu cachorrinho teria um piripaque! (porque nessas horas é impossível não jogar no Google "meu cachorro comeu lixo" e ficar pensando em todas as tragédias que poderiam acontecer) Ainda bem que ele não teve nada, nem sequer vomitou! (estômago de avestruz!)
Mesmo depois da peripércia (e da minha neurose ter passado), levei o culpado para passear...
... porque não há quem resista à essa carinha:
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Hugo
O que eu também não entendo...
Com a tragédia de sexta-feira, o clima nos USA anda meio sombrio... se não me engane este é o quarto massacre nos USA este ano, e honestamente, é o que mais me assustou. Fiquei pensando em como deve ser desesperador para os pais que perderam seus filhos, tentando me colocar no lugar deles (impossível, eu sei...) Como é que você faz para deixar seu filho no colégio no dia seguinte? Como é que você educa seu filho para lidar com esse tipo de situação? E como é que você explica para uma criança de 5 anos que esse tipo de tragédia aconteceu? Eu, com meus vinte e poucos, não consigo entender... (e devo dizer que mesmo que tivesse 90, acho que, ainda assim, não saberia explicar...)
Na época de Columbine, ainda era uma criança. Esse massacre, para mim, foi coisa de filme, algo completamente surreal... Acho que nem cheguei a me colocar no lugar daqueles adolescentes, afinal, na minha bolhinha brasileira/infantil, isso jamais aconteceria! (assaltos a mão armada e etc faziam parte da minha realidade, mas NUNCA me senti ameaçada em um ambiente acadêmico). Pode até ter sido privilégio meu nunca ter tido essa sensação de insegurança, mas honestamente, será que toda criança não tem o direito de se sentir 100% segura no colégio? (e nós, como uma sociedade, não temos o dever de garantir esta insegurança?!).
Infelizmente, lendo e ouvindo sobre massacres a mão armada, praticamente anualmente, confesso que meu nível de segurança baixou... Engraçado que não tenho medo de andar sozinha a noite, nem de sair de casa com anel de ouro nos dedos, nem de carregar aparelhos eletrônicos por aí... isso faço sem nem pensar! Tenho medo é da insanidade de alguns poucos, que, junto com a facilidade de obter armas, dá margem para a tragédia que ocorreu sexta, principalmente num lugar que a venda dessas armas é legal.
Realmente torço para que, pelo menos dessa vez, o diálogo em relação ao controle do comércio e posse de armas nos USA ganhe força e apoio da população, que o loby criado pelo NRA (National Rifle Association) tome vergonha na cara e pare com essa babaquice de "Armas não matam pessoas. Pessoas com armas é que matam pessoas." Realmente, arma nenhuma dispara sozinha, por vontade própria, sempre tem alguém no gatilho. Mas dado que não dá para se desfazer de "pessoas com armas", e dá para se desfazer do "armas", que tal reavaliarmos a posse de armas?!
Acho um ABSURDO quando alguém vem com esse papo de que "posse de armas é um direito do cidadão, garantido pela Constituição" e não se muda a Constituição (por esse raciocínio, mulheres nunca teriam direito ao voto, escravidão ainda existia, imposto federal seria inexistente, e ah, é verdade, a posse de armas também não seria um direito, afinal, a posse foi uma EMENDA!).
E realmente, em 1791, fazia todo sentido do mundo ter esse direito para proteger sua terra/propriedade, e a segunda emenda funcionava dentro daquele contexto. Mas nos dias de hoje, o contexto é BEM diferente... e NINGUÉM precisa ter um rifle semi-automático em casa para se sentir seguro.
Enfim, eu ainda poderia falar muito sobre este assunto, já que eu realmente não consigo aceitar esse aspecto louco da sociedade americana, e muito menos entendê-lo, mas preciso voltar ao trabalho.
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Kerlynha
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