# pequenos momentos de felicidade

O relógio registra 20:53hs. Droga! – pensa ela – continua atrasada e vai chegar tarde na rodoviária. Agora ela reclama, mas sempre encontra tempo de visitar as livrarias do shopping antes de ir embora.
Atravessa a multidão de gente, olhando uma vitrine ou outra e sempre tem o mesmo pensamento – "Preciso comprar calçado! Mês que vem estarei mais folgada." Mês que vem chega e o cartão dela sempre vem alto, mas metade é compra da prima, da amiga, do namorado…que sempre pagam, mas nunca na data certa, e o débito automático a puxa pro cheque especial. – "Preciso cancelar o cheque especial. Amanhã eu faço".
Tira o Mp3 da bolsa, sempre grande, desenrola os fios do fone que estão enganchados no carregador do celular e no espiral da agenda. Arruma o Mp3 (pra ela tudo é Mp3. Não importa se arquiva vídeo, texto, foto e sorri) no bolso ou na bolsa – Hoje vai ser aleatório ou alguém específico?
Atravessa a rua somente quando o sinal de pedestre está verde. Detesta esperar, mas está pagando seus pecados com o antigo novo namorado. Não usa elevador pelo mesmo motivo, prefere andar a ficar esperando. Não é seu espírito de atleta que determina isso, é a falta de paciência mesmo.
O ônibus passa no horário exato, e sua angústia da espera é diminuída quando vai direto pra casa. Quando não, mata a espera ouvindo música, lendo e observando as pessoas. Sempre tenta adivinhar pra onde elas estão indo ao vê-las nos carros, ou imagina o restante do diálogo a partir do ponto que parou de escutar.
Entra no ônibus, senta no lado da janela, aquela que dá pra ver melhor o mundo lá fora. Quando seu lugar preferido está ocupado senta do outro lado, mas sempre na janela, e sempre reparando no movimento de tudo que fica pra trás, sempre imaginando como sua vida poderia ser diferente se isso ou aquilo tivesse acontecido. Mas a felicidade bate à sua poltrona reclinável quando, num momento qualquer, o Sol começa a surgir no horizonte (sua parte preferida da viagem), e nesse instante sente que é a pessoa mais sortuda do universo, não somente por ver essa maravilha da natureza, mas por perceber que já está chegando no seu destino final, e que tem gente que a ama esperando por ela.
Viajar é sempre bom, mas gostar de voltar pra casa é fundamental.

Nordeste Independente

Nem queria comentar essa história toda de preconceito e xenofobia que vem rolando nos últimos tempos. É um assunto bem triste e muito complexo, mas lembrei dessa música e resolvi colocá-la aqui. Sempre achei essa música linda, muito mais por mostrar as riquezas e o respeito dessa região do Brasil do que por sugerir uma separação.
Na verdade, a separação é só pra mostrar o quanto essa região é rica e que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, tem gente trabalhadora sim. Mas não sou eu quem vai enfiar isso na cabeça de ninguém, afinal, educação, respeito e tolerância se aprende desde pequeno, e em casa.
Tenho pena de pessoas que não puderam ter isso, felizmente eu tive, e quero conhecer cada cantinho desse Brasil.

Ps.: o vídeo é meio tosquinho – foi mals ai quem produziu – é só pra vocês escutarem a música, porque tô com preguiça de colocar só a música aqui. =/




Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Dividindo a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria o senador
O cassaco de roça era o suplente
Cantador de viola o presidente
O vaqueiro era o líder do partido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Em Recife o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
“Asa Branca” era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

O Brasil ia ter de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar

O arroz, o agave do lugar
O petróleo, a cebola, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Se isso aí se tornar realidade
E alguém do Brasil nos visitar
Nesse nosso país vai encontrar
Confiança, respeito e amizade
Tem o pão repartido na metade,
Temo prato na mesa, a cama quente
Brasileiro será irmão da gente
Vai pra lá que será bem recebido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Eu não quero, com isso, que vocês
Imaginem que eu tento ser grosseiro
Pois se lembrem que o povo brasileiro
É amigo do povo português
Se um dia a separação se fez
Todos os dois se respeitam no presente
Se isso aí já deu certo antigamente
Nesse exemplo concreto e conhecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que vocês nos enganam
Porque nosso povo não é besta

(Nordeste Independente – Composição: Bráulio Tavares/ Ivanildo Vilanova)

Ela por Ele



E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário: por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.
 
 
Dom Casmurro - Machado de Assis

1º ano - Só a Verdade



Havia dias em que até o ar que eu respirava era você. Amanhecia e o Sol lá fora dizia seu nome, o silêncio do sábado chorava sua ausência. Era uma tristeza aguda, nada fazia sentido.
Perder um amor é saber-se falta. O abraço não dado, o telefonema não feito, o último beijo... Eu sabia que aquele seria o último beijo, e essa certeza maltratava. Tanta história, tantos planos, tanta falta pra tanto tempo pela frente. E um amor que doía de tão intenso, passou a doer de ausência, passou a doer de falta. Eu quis muito que você fosse o último homem na minha vida, queria ficar com você pra sempre. A gente sempre dizia que ficaríamos velhinhos juntos, lado à lado, mas o conto se desfez antes mesmo do castelo ser construído.
Sobrava a certeza de que foi melhor assim, e tantas outras certezas ruins que prefiro nem falar. Também sobrava saudade, mas faltas também fazem parte, faltas são a prova da presença. A maior dor que senti neste ano foi quando percebi que você, simplesmente, deixou de fazer falta. Não existe despertador melhor do que um adeus. Eu tive a grande surpresa de ver o tempo passar e a vontade continuar em mim, a vontade de crescer , sem armas, sem farpas... Um sorriso que, hoje, vem de dentro.
Lembra daquela peixinha do "Procurando Nemo"? Ela cantava "Continue a nadar! Continue a nadar!".
Eu nadei, e você também.


Um Beijo Bom, beijos de paz.

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Muito bom ver como mudou desde o PRIMEIRO MÊS.

Trilha Sonora do Dia



Ainda Sobre.



Quando a morte acontece, até que a gente se acostume, ela se repete muitas e seguidas vezes. Ao acordar no dia seguinte, está lá a morte novamente. A cada lembrança, outra morte. E a morte de novo, de novo, de novo e mais uma vez. Até que em nós ela morra de fato — e isso demora. Algumas vezes ela vem mais forte, mais avassaladora, e te dá uma rasteira doce e certeira. 
Para mim, a morte se renova a cada Natal, a cada 19 de agosto e 22 de outubro, a cada reunião de família e a cada dia das mães.

Minha mãe sempre gostou de rosas vermelhas, e eu herdei esse gosto dela assim como outras tantas coisas. Fui visitá-la e parabenizá-la pelo seu dia, e, como boa filha, levei as rosas que ela tanto gosta. Não dei e nem recebi abraços, beijos e nenhum olhar carinhoso. Coloquei as flores sobre um gélido mármore, olhei para uma foto borrada pelo tempo, e disse aos prantos: Feliz Dia das Mães.