Ela - Ele

Ela: já fez faculdade de História, faz biomedicina, mas queria mesmo fazer odontologia; dizem que ela é extrovertida e um pouco brava; ela adora literatura, fotografia, filmes, Beatles e cerveja; ela tem 88 de RAM; ela ainda não sabe, mas gosta de futebol; ela escuta rock e bandas novas; ela tem sede de conhecer o mundo; ela ama os fins de tarde; ela ama ver a Lua; ela ama ele.
Ele: fez faculdade de automação industrial, tem um emprego federal, mas queria mesmo fazer arquitetura; dizem que ele é extrovertido e muito paciente; ele adora o Flamengo, vídeo game, dança; viajar; matemática e crianças; ele tem uma memória de 136 terabites; ele ainda não descobriu, mas gosta de poesia; ele escuta rock, MPB e reggae; ele ama cafuné; ele ama o mundo; ele ama ela.

# pequenos momentos de felicidade

O relógio registra 20:53hs. Droga! – pensa ela – continua atrasada e vai chegar tarde na rodoviária. Agora ela reclama, mas sempre encontra tempo de visitar as livrarias do shopping antes de ir embora.
Atravessa a multidão de gente, olhando uma vitrine ou outra e sempre tem o mesmo pensamento – "Preciso comprar calçado! Mês que vem estarei mais folgada." Mês que vem chega e o cartão dela sempre vem alto, mas metade é compra da prima, da amiga, do namorado…que sempre pagam, mas nunca na data certa, e o débito automático a puxa pro cheque especial. – "Preciso cancelar o cheque especial. Amanhã eu faço".
Tira o Mp3 da bolsa, sempre grande, desenrola os fios do fone que estão enganchados no carregador do celular e no espiral da agenda. Arruma o Mp3 (pra ela tudo é Mp3. Não importa se arquiva vídeo, texto, foto e sorri) no bolso ou na bolsa – Hoje vai ser aleatório ou alguém específico?
Atravessa a rua somente quando o sinal de pedestre está verde. Detesta esperar, mas está pagando seus pecados com o antigo novo namorado. Não usa elevador pelo mesmo motivo, prefere andar a ficar esperando. Não é seu espírito de atleta que determina isso, é a falta de paciência mesmo.
O ônibus passa no horário exato, e sua angústia da espera é diminuída quando vai direto pra casa. Quando não, mata a espera ouvindo música, lendo e observando as pessoas. Sempre tenta adivinhar pra onde elas estão indo ao vê-las nos carros, ou imagina o restante do diálogo a partir do ponto que parou de escutar.
Entra no ônibus, senta no lado da janela, aquela que dá pra ver melhor o mundo lá fora. Quando seu lugar preferido está ocupado senta do outro lado, mas sempre na janela, e sempre reparando no movimento de tudo que fica pra trás, sempre imaginando como sua vida poderia ser diferente se isso ou aquilo tivesse acontecido. Mas a felicidade bate à sua poltrona reclinável quando, num momento qualquer, o Sol começa a surgir no horizonte (sua parte preferida da viagem), e nesse instante sente que é a pessoa mais sortuda do universo, não somente por ver essa maravilha da natureza, mas por perceber que já está chegando no seu destino final, e que tem gente que a ama esperando por ela.
Viajar é sempre bom, mas gostar de voltar pra casa é fundamental.

Nordeste Independente

Nem queria comentar essa história toda de preconceito e xenofobia que vem rolando nos últimos tempos. É um assunto bem triste e muito complexo, mas lembrei dessa música e resolvi colocá-la aqui. Sempre achei essa música linda, muito mais por mostrar as riquezas e o respeito dessa região do Brasil do que por sugerir uma separação.
Na verdade, a separação é só pra mostrar o quanto essa região é rica e que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, tem gente trabalhadora sim. Mas não sou eu quem vai enfiar isso na cabeça de ninguém, afinal, educação, respeito e tolerância se aprende desde pequeno, e em casa.
Tenho pena de pessoas que não puderam ter isso, felizmente eu tive, e quero conhecer cada cantinho desse Brasil.

Ps.: o vídeo é meio tosquinho – foi mals ai quem produziu – é só pra vocês escutarem a música, porque tô com preguiça de colocar só a música aqui. =/




Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Dividindo a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria o senador
O cassaco de roça era o suplente
Cantador de viola o presidente
O vaqueiro era o líder do partido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Em Recife o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
“Asa Branca” era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

O Brasil ia ter de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar

O arroz, o agave do lugar
O petróleo, a cebola, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Se isso aí se tornar realidade
E alguém do Brasil nos visitar
Nesse nosso país vai encontrar
Confiança, respeito e amizade
Tem o pão repartido na metade,
Temo prato na mesa, a cama quente
Brasileiro será irmão da gente
Vai pra lá que será bem recebido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Eu não quero, com isso, que vocês
Imaginem que eu tento ser grosseiro
Pois se lembrem que o povo brasileiro
É amigo do povo português
Se um dia a separação se fez
Todos os dois se respeitam no presente
Se isso aí já deu certo antigamente
Nesse exemplo concreto e conhecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que vocês nos enganam
Porque nosso povo não é besta

(Nordeste Independente – Composição: Bráulio Tavares/ Ivanildo Vilanova)