Mafalda - de Quino


Gente, eu A-DO-RO a Mafalda!!! Então, sendo assim, não poderia deixar de falar da minha baixinha predileta aqui no Deputamadre. Acho, sem sombra de dúvidas, que a criação dessa personagem foi uma sacada inteligentíssima do Quino (seu criador), que por meio de Mafalda e seu mundo pequeno burguês, reflete sobre a realidade de seu tempo, colocando suas idéias e imaginando saídas nem sempre fáceis para as questões que o angustiam, para os dilemas da contemporaneidade. Mas falemos sobre essa explêndida obra que surgiu nos anos 60, e sobre seus personagens incríveis!





Uma criança que fala aquilo que pensa e por isso coloca os adultos em situações embaraçosas. Uma menina de opinião, com uma visão bastante crítica da realidade. Uma sonhadora. Uma contestadora. Uma cínica. Tem 6 anos de idade, odeia sopa e adora The Beatles e o desenho do Pica-Pau. Sim meus caros, essa é a Mafalda! Em termos gerais, é apenas uma menina que vive na Argentina dos anos 1960, com pais normais de classe média, que vai à escola, possui alguns amigos com quem realiza as brincadeiras normais de toda criança e viaja com a família para a praia no período de férias. No entanto, ela é muito mais do que esta simples descrição pode passar. Acima de tudo, representa uma das personagens mais fascinantes que já apareceram nas histórias em quadrinhos latino-americanas, personificando a insatisfação frente a uma realidade social e econômica que, mais do que respostas, apenas desperta perguntas e inquietações. Ainda assim, nesse sentido, é muito mais que uma criança que apresenta uma postura de adulto, como tantas outras que já surgiram nos quadrinhos: ela é a porta-voz de todas aquelas questões que os leitores de suas tiras gostariam de ter a coragem de colocar para o mundo, mas que nem sempre conseguem fazê-lo. Ela possui uma visão mais humanista e aguçada do mundo em comparação aos outros personagens desta obra.


Papá (Pelicarpo, 29 de setembro de 1964): O pai trabalha em uma companhia de seguros, adora cultivar plantas em seu apartamento e entra em crise quando repara na sua idade.
Mamã (Raquel, 06 de outubro de 1964): Típica dona de casa, não completou os estudos (por isso é vista como medíocre pela Mafalda), entra em conflitos com a filha quando prepara sopas e macarrão.
 

Filipe (19 de janeiro de 1965), morador do mesmo prédio e primeiro amigo de Mafalda, um sonhador que odeia a escola, mas que frequentemente trava intensas batalhas com sua consciência e seu senso nato de responsabilidade. Inseguro do futuro, apaixonado por Brigitte Bardot, a musa dos anos 60. Leitor entusiasmado das histórias em quadrinhos do "Cavaleiro Solitário", acredita em tudo que lê nos jornais. Tem idéias grandiosas, que são sempre frustadas pelos amigos, o que invariavelmente o faz ficar amargurado. Eu diria que ele é o contraponto da protagonista. É aquele com o qual Quino, seu criador, mais se indentifica, foi baseado em um seu amigo de infância chamado Jorge Timossi.

 

Manolito (Manuel Goreiro "Manelito", 29 de março de 1965), É filho de Don Manolo, imigrante espanhol dono de uma mercearia, de quem herdou os traços fisionômicos e a vocação para o comércio. Seu grande sonho é crescer e ser dono de uma cadeia de supermercados. Materialista, caracteriza-se por sua brutalidade, pela descrença quanto às coisas do espírito – a ele não lhe agradam os Beatles –, tendo uma visão prática do mundo. Admira os norte-americanos, por sua riqueza, e está sempre imaginando formas de se tornar igual a eles (do que não se excluem artimanhas para fazer com que os amigos comprem mais coisas no armazém de seu pai...). Apesar de tudo, no entanto, é um trabalhador abnegado, o que não impede que em várias ocasiões demonstre, até mesmo de forma ingênua, uma grande capacidade de afeição pelos demais personagens da série.

 

Susanita (Susana Beatriz Clotilde Chirusi, 06 de junho de 1965), Uma menina fútil. Seu único objetivo na vida é encontrar um marido rico e de boa aparência quando crescer, e ter uma quantidade de filhos acima da média. É uma grande fofoqueira e egoísta, e sempre encontra um jeito de falar sobre o vizinho do irmão da cunhada de alguém. Sempre fora da realidade, busca não se envolver com os problemas do mundo e prende-se às aparências. Enquanto Mafalda personifica a mulher liberada que busca se colocar em pé de igualdade em relação ao sexo oposto, Susanita é a visão tradicional do papel da mulher na sociedade, o que ocasiona frequente atrito entre as duas meninas.





Guille "Gui" (Guillermo, "Guilherme", 1968), Mais do que um representante do embate pais e filhos, personifica, em sua relação com Mafalda, a diferença de opiniões entre gerações separadas por apenas alguns anos. A partir do aparecimento do irmão, a protagonista passa a representar a crítica ao mundo constituído, fechando-se na reflexão abstrata, na visão realista da sociedade em que vive, e assumindo uma agudeza conceitual à qual não cabem mais os sorrisos e brincadeiras que eram tão comuns antes de se tornar a filha mais velha. Nesse novo papel, ela tem que responder para o irmão as mesmas perguntas embaraçosas que antes colocava aos pais.



Miguel "Miguelito" Pitti: Amigo de Mafalda, um pouco mais jovem do que os outros. Filho único, com uma personalidade única, mas com um coração enorme. Miguelito tem dificuldade de compreender o que Mafalda pensa, sempre entendendo os conselhos de sua amiga de maneira literal. É a inocência personificada, alguém sempre em busca de compreender o mundo que o cerca e admirado pelas contradições existentes, que não sabe explicar. Surge repentinamente na praia, durante uma viagem de férias da protagonista, agregando-se posteriormente à tira.

       
                                                                                                                                                  



Liberdade (Libertad, 15 de fevereiro de 1970), é a última a aparecer na tira, filha de pais hippies, pequena e contestadora, é uma metáfora da própria Liberdade, um permanente incômodo para todos.Gosta das coisas simples da vida, e se torna a válvula de escape para idéias que estavam no ar durante o período que Mafalda não podia dar voz, devido a suas características esquemáticas.








Burocracia: É a tartaruguinha dada por seu pai a Mafalda e Guile. Mafalda a batizou com esse nome por ela ser tão vagarosa. Só aparece a partir do livro "As Férias da Mafalda".  (Desculpem, mas não encontrei uma imagem que a Burocracia estivesse só, então, vai essa mesmo!)



 




Eu acredito que muito exista a dizer sobre o mundo de Mafalda. Muito a ser analisado, tão complexas são suas inquietações e as relações que desenvolve com a família, com os amigos e com o mundo em que vive. Trata-se de uma história em quadrinhos povoada principalmente por crianças, mas não é exatamente uma série para crianças. Embora os pequenos possam ler as tiras de Mafalda e se identificar com as preocupações e desencontros de seu mundo infantil, o público da menina é mesmo composto por leitores adultos, que conseguem – ou, pelo menos, tentam... – entender sua posição em relação às relações de poder na sociedade e à opressão dos mais fracos pelos mais fortes. Pois em Mafalda nada é simples: quando pensamos que sua posição está firmada sobre um determinado assunto, ela nos surpreende com um aspecto inusitado da questão, com uma pergunta bombástica, com uma expressão de enfado, de asco ou de pena frente a uma situação ou personagem específicas. O desenvolvimento da tira faz aos poucos com que ela evolua, amadureça em sua visão de mundo, perca algumas de suas características – em geral, as mais infantis –, que são assumidas pelas demais personagens. Recomendo aos meus leitores o livro "Toda Mafalda", nele vocês irão encontrar da primeira a última tirinha dessa obra (que não me canso de dizer) magnífica.

 E para concluir, acrescento uma imagem da Mafalda que eu A-DO-RO, é praticamente um resumo de tudo em uma só imagem... E ponho também uma frase dela que acho simplesmente... Vocês vão ler, nem precisa de explicações, ela fala por si só...

 


"Já que há mundos evoluídos, por que tive que nascer justo neste?"
(Mafalda)

2 comentários

  1. Adoro a mafalda,resumo espetacular... amei! aproveitei para salvar alguns personagens, vou pintá-los na parede do meu quarto rs, parabéns!!!!!

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  2. Obrigada, Nívea!
    A Mafalda é mesmo demais, não?
    Manda fotos dos desenhos que publico aqui... Adoro toda e qualquer forma de arte!
    Há! Seja bem vinda ao Deputamadre!
    :d

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